Renda fixa em reais: cada objetivo pede um prazo e um indexador

Pós-fixados para o curto prazo, IPCA+ para o médio e longo prazo, e cautela com prefixados longos.

Em produtos de renda fixa, é comum vermos nas carteiras dos nossos clientes uma falta de organização com relação aos diferentes prazos e indexadores. Parte disso vem do fato de que, nos últimos cinco anos, o CDI teve uma performance acima da de vários ativos de risco,1 o que traz uma sensação de que investir em qualquer produto que não seja o simples CDI é buscar risco à toa. Na Decade, acreditamos que a renda fixa é a espinha dorsal da parte da carteira que fica em reais, mas com uma mistura de indexadores e prazos que reflita a realidade de cada cliente.

Retorno médio por ano, outubro de 2021 a outubro de 2026
Ibovespa, CDI e IMA-B 5+, retornos anualizados.
Ibovespa
13,2%
CDI
12,7%
IMA-B 5+
8,0%

O IMA-B 5+ é um índice de títulos públicos atrelados à inflação com vencimento acima de cinco anos. Fonte: ANBIMA (IMA-B 5+) e B3 (Ibovespa e CDI), dados até 06/10/2026. Análise Decade.1

Pós-fixados

Os chamados pós-fixados são instrumentos que acompanham um indicador de juro nominal de curto prazo. No Brasil, quase sempre é o CDI, que anda colado na Selic e é definido diariamente. O título rende, por exemplo, "100% do CDI": se o CDI sobe, você ganha mais; se cai, ganha menos.

Ele não protege da inflação diretamente. Protege de forma indireta, porque o Banco Central normalmente sobe o juro quando a inflação sobe. Mas em cenários em que o Banco Central não consegue subir o juro livremente, por motivos políticos ou por perda de eficácia da política monetária, o pós-fixado pode perder para a inflação. Acreditamos que instrumentos ligados ao CDI fazem muito sentido para metas e compromissos de curto prazo, como a reserva de emergência.

IPCA+

Nos títulos IPCA+, o título paga a inflação mais uma taxa definida no momento da compra. Esses títulos têm diferentes prazos, e suas taxas mudam todos os dias, o que faz o preço oscilar diariamente. Acreditamos que esses instrumentos funcionam muito bem para metas de médio e longo prazo, como comprar uma casa, se aposentar ou simplesmente ter o patrimônio compondo a taxas reais ao longo de décadas. Cada título tem que ser escolhido de acordo com o horizonte da meta que o acompanha, para minimizar a chance de uma venda muito antes do vencimento num período ruim de mercado.

Prefixados longos

Existe ainda a possibilidade de travar taxas nominais por prazos mais longos, com títulos prefixados. No Brasil, somos estruturalmente receosos com prefixados de prazo muito longo, dado o histórico de surpresas inflacionárias no país. Nos últimos 30 anos, o Brasil teve inflação acima de 6% em 11.2 E em 13 dos últimos 19 anos, a inflação realizada superou a inflação esperada pelos economistas no início do ano, medida pelo boletim Focus do Banco Central.3

IPCA anual, 1996 a 2025
Em destaque, os 11 anos em que a inflação fechou acima de 6%.

A linha tracejada marca 6%. Fonte: IBGE, IPCA anual. Análise Decade.2

Isso reforça nossa tese de termos carteiras protegidas da inflação ao longo do tempo.

Este conteúdo tem caráter informativo e não constitui recomendação individual de investimento. Rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura.

Fontes

  1. ANBIMA (IMA-B 5+) e B3 (Ibovespa e CDI), retornos anualizados de outubro de 2021 a outubro de 2026, dados até 06/10/2026. Análise Decade. ↩ ↩2

  2. IBGE, IPCA anual de 1996 a 2025. Análise Decade. ↩ ↩2

  3. Banco Central do Brasil, boletim Focus (projeção de IPCA de janeiro de cada ano), contra o IPCA realizado (IBGE), 2007 a 2025. Análise Decade. ↩